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Mercado Incipiente

19/3/2009

Demolidoras utilizam várias técnicas para diminuir as peças de concreto ao tamanho adequado. Normas da ABNT estabelecem o uso de agregado reciclado em serviços de pavimentação e em concreto não-estrutural e dão valor de mercado aos produtos.

As oportunidades para o consumo dos reciclados têm se mostrado mais significativas nos grandes centros urbanos, já que a desocupação de velhos edifícios e de antigas instalações industriais para a construção de empreendimentos imobiliários gera condições favoráveis à reciclagem dos resíduos em grandes canteiros ou em instalações de reciclagem externas públicas ou privadas.

O mercado começou a crescer a partir da instituição da resolução 307 do Conama, que determina ao gerador de resíduos sólidos o gerenciamento e destinação do entulho nas poucas áreas licenciadas pelas prefeituras. Ainda assim, o processo cresce de forma lenta. O Brasil possui apenas 20 instalações de reciclagem de resíduos sólidos entre equipamentos públicos e privados de acordo com informações da Obra Limpa, empresa de gestão de resíduos da construção civil. Embora o número seja insuficiente em relação ao volume total de resíduos gerados pelos municípios, as estações operam abaixo da capacidade instalada.

A maturação do mercado depende de uma série de ações de desenvolvimento tecnológico e de incentivo público. Segundo Elcio Careli, seria necessário o maior estímulo ao consumo de agregados reciclados, especialmente em serviços públicos de pavimentação. "Com maior escala de produção os empreendedores poderão definir políticas de preços para o recebimento de resíduos mais atrativos, privilegiando o recebimento de resíduos triados", diz.

A cidade de São Paulo dá os primeiros passos nesse sentido com o decreto assinado no final de 2006 pela prefeitura, que tornou obrigatório o uso de material proveniente da reciclagem de entulho nas obras e serviços de pavimentação de vias públicas da capital. "A solução é a municipalidade especificar material reciclado. Só que precisa ser feito de maneira a combinar a demanda com a oferta, o que não ocorreu em São Paulo, onde isso é obrigatório, mas o produto agregado reciclado não existe", ressalva o engenheiro Vanderley John, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

A opinião do professor é de que mercado de pavimentos hoje só é atraente para o investidor privado quando há vantagem logística. Além disso, como o material tende a ser um misto de concreto, alvenaria e cerâmicas, possui composição e resistência muito variáveis, limitando a aplicação praticamente à base de pavimentos, nivelamento de terrenos, sistemas de drenagem, contrapisos e concretos de regularização.

Para John, o negócio só pode se tornar atrativo se for possível vender agregados para argamassa e concreto. Em fase experimental, a escola politécnica, junto com o Cetem (Centro de Tecnologia Mineral) e a Universidade Federal do Alagoas estão desenvolvendo um sistema de processamento, já trabalhando em escala piloto, que permite separar os grãos adequados para a produção de concreto e argamassas de grãos menos resistentes, que continuariam explorando o mercado de pavimentos. "Os dados que temos é de que esses grãos de menor resistência podem garantir um pavimento ainda melhor."

 

Por Kelly Carvalho - Revista Construção e Mercado (Outubro/2007)

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