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Mercado de Agregados

19/3/2009

Resíduos já são beneficiados no canteiro por meio de recicladores móveis quando há volume que justifique a presença de equipamento específico para britagem. A viabilidade da reciclagem no canteiro também está relacionada à possibilidade de uso imediato do agregado produzido.

 

As demolidoras começam a tirar partido econômico do tímido mercado de reciclagem de resíduos ao recorrer a uma antiga prática que sempre lhes conferiu bons lucros: o desconto nos serviços de demolição em troca de materiais reaproveitáveis. Portas, batentes, esquadrias, caixilhos, tubulações e outros componentes sempre foram levados em consideração no orçamento, já que existe um mercado consolidado de compra e venda desses materiais. Mas os resíduos classe A, como concreto, alvenaria e cerâmica, cada vez mais entram nessa conta quando há possibilidade de consumo do material reciclado na mesma área ou em locais próximos de onde os resíduos são gerados. Algumas demolidoras chegam a negociar 40% do serviço em troca de todo o entulho da obra. "A percepção das empresas que atuam nesse mercado para as possibilidades de aproveitamento mais intenso de materiais está se construindo nesse período", avalia o arquiteto Tarcísio de Paula Pinto, consultor da I&T Informações e Técnicas em Construção Civil. "A próxima fase é a de alternativas para reciclagem do material bruto. Alguns anos atrás havia poucas máquinas no País e hoje já há máquinas que se movimentam no canteiro para fazer a reciclagem", completa.

Como o investimento no negócio não é barato e só se viabiliza com escala de produção, as demolidoras que apostam no segmento geralmente pertencem a grupos que desenvolvem atividades de construção para aproveitar o material reciclado em obras próprias. Esse é o caso da fluminense Craft Engenharia, que reutiliza cerca de 70% do material agregado e reciclou 130 mil m3 de resíduos somente nos dois últimos anos. "Com essas ações a Craft busca um equilíbrio na relação custo-benefício para processos de reciclagem em atividades de construção e de demolição", explica o engenheiro Carlos Henrique Navaes, gerente da divisão de equipamentos da Craft Engenharia. A empresa, que investe nesse mercado desde 1994, recentemente adquiriu um reciclador móvel e uma caçamba trituradora.

A Caenge, tradicional construtora brasiliense, também enxerga oportunidades nesse mercado. A empresa possui uma divisão ambiental para a prestação de serviços de remoção, transporte de entulho e implantação de áreas de transbordo, triagem e reciclagem. Somente neste ano a Caenge ambiental investiu R$ 1,5 milhão na importação de equipamentos móveis apropriados para o desmonte e reciclagem de resíduos. Os agregados reciclados como insumo são utilizados em projetos de recuperação de áreas degradadas, de saneamento ambiental e obras de pavimentação da construtora. "Em vez de comprar rocha eu uso material reciclado e tenho uma economia de matéria-prima", explica Marco Aurélio Gonçalves, diretor da Caenge Ambiental.

Nem todas as construtoras, no entanto, consideram viável a entrada nesse mercado, mas consideram a destinação dos resíduos em recicladoras. "O nosso negócio não é reciclar, tem pessoas com experiência maior e em melhores condições de realizar esse trabalho", afirma o engenheiro Alexandre Amado Britez, gerente da qualidade e desenvolvimento tecnológico da Cyrela.

 

Por Kelly Carvalho - Revista Construção e Mercado (Outubro/2007)

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